EBAI 2011: o futuro de UX em pauta

Nos dias 21 e 22 de outubro aconteceu em São Paulo a quinta edição do EBAI – Encontro Brasileiro de Arquitetura de Informação. Essa foi a minha segunda vez no evento (estive lá em 2010), mas já acompanhei os trabalhos que foram publicados nas edições anteriores também.

A impressão que tive é que, mais do que nos outros anos, quando grande parte da discussão estava voltada para cases ou metodologias, esse ano os temas discutidos foram bem mais conceituais e a abordagem sobre nosso trabalho teve outro foco. Todos queriam discutir e entender qual o nosso papel no mundo e para onde estamos indo. Acho isso super válido e necessário.

Para mim, isso pode estar acontecendo por que nosso grupo está mais heterogêneo: cada vez mais pessoas de diferentes áreas entram para esse mundo e trazem a sua bagagem, mostrando visões diferentes e perfis profissionais bastante variados. Isso contribui, e muito, para a percepção de novos papéis e de um espectro de atuação ainda maior para o profissional de UX. Falei sobre isso há algum tempo, aqui mesmo (leia o artigo “O que faz um arquiteto de informação?”) e também já tive a preocupação em não ficar restrito a ser um desenhista de wireframe.

A única coisa que me preocupa é cometermos o erro de ficar tão presos e ligados em mostrar como somos bons e como podemos contribuir com os projetos, que acabaremos esquecendo do básico. Com certeza devemos aproveitar o máximo possível nossas discussões para entender e desenhar o futuro da nossa profissão, mas que isso não atrapalhe o motivo pelo qual ela existe, que é tornar a vida das pessoas mais simples e fácil.

Além da Usabilidade

A Era da Informação agora é sobre design para persuasão, emoção e confiança. Isso é o que afirma a HFI (www.humanfactors.com), no artigo “Beyond Usability – Designing for Persuasion, Emotion and Trust”.

Segundo o estudo, a boa usabilidade é e continuará essencial – se as pessoas não encontrarem uma coisa, elas não poderão ser persuadidas por ela – mas não é mais um diferencial como era tempos atrás. Geralmente desenhar um site que é fácil de navegar, entender e transacionar não é o suficiente. Um dos melhores argumentos que eles apresentam é: só porque as pessoas conseguem fazer algo, não quer dizer que elas o farão. O futuro do design é sobre criar engajamento e comprometimento para atingir objetivos de negócio mensuráveis. Seja seu site um e-commerce, institucional ou transacional, você precisa motivar as pessoas a tomar decisões que levem a conversão.

Sabemos que o ambiente online oferece muito mais oportunidades de influenciar a tomada de decisão do que os canais tradicionais de propaganda e marketing. No entando, entender os sutis gatilhos emocionais das pessoas requer um rigoroso conjunto de novas técnicas, e os resultados disso podem até ser conflitantes com as melhores práticas clássicas de usabilidade.

Esse artigo apresenta uma visão estratégica da ciência da persuasão, baseada na nova metodologia PET da HFI. Ele explica porque as empresas deveriam aplicar essas técnicas baseadas em pesquisa para influenciar o comportamento online por meio da persuasão, emoção e confiança.

Vídeo bem legal sobre o assunto:

Arquitetura de Informação + SEO: como fazer?

Arquitetura de Informação não é só fazer wireframes e escolher onde vão ficar as páginas do seu site. Na verdade, é até muito disso, mas fazer só essas coisas sem pensar no impacto que elas têm em várias outras frentes de um projeto é um erro. Uma dessas frentes é a otimização de sites para mecanismos de busca. Vou falar mais sobre esse assunto agora.

A otimização de sites para mecanismos de busca (SEO, na sigla em inglês), acontece quando você utiliza estratégias de tecnologia, conteúdo e marketing para melhorar o posicionamento do seu site nos resultados naturais dos sites de busca como o Google, por exemplo.

(Falo em resultados naturais simplesmente por que é onde está o conteúdo mais relevante e, consequentemente, onde as pessoas realmente encontrarão a informação que procuram. Para os que discordam, fica a pergunta: quando foi a última vez que você clicou em um ou dois resultados patrocinados?)

Quando se fala em SEO, devemos considerar três aspectos:

Parte 1 – Tecnologia. Seu site precisa ser encontrado
Parte 2 – Conteúdo. Os humanos também importam
Parte 3 – Marketing. Relacionamentos te dão moral


Parte 1 – Tecnologia. Seu site precisa ser encontrado

Cada mecanismo de busca possui um robô, chamado crawler (o do Google é o Googlebot), que navega por todos os sites da web e os armazena em sua base de dados, criando um índice. Em seguida, esse índice é organizado de acordo com as regras de relevância de cada mecanismo.

Assim, um site otimizado e bem construído possui estrutura e tecnologia que facilitam o movimento dos crawlers.

Flash, AJAX e Javascript
O básico que deve ser lembrado do ponto de vista de tecnologia é: tenha atenção com conteúdos em Flash, AJAX e Javascript. Essas tecnologias não são proibidas, mas devem ser muito bem pensadas para não criar problemas de indexação do seu site.

Conteúdo em Flash pode ser indexado, mas pense nos resultados de busca que você vê no dia-a-dia: existem muitos sites em Flash nas primeiras posições?

Para sites que utilizam AJAX e Javascript, é importante que essas tecnologias sejam aplicadas corretamente, já que utilizam diferentes formas de comunicação com os servidores, que podem acabar por “esconder” o conteúdo. Além disso, Javascript não é bom para links, já que os comandos atrapalham os buscadores na leitura dos links (você vai ver o quanto eles são importantes já, já).

Conteúdo estático importa
Quando falamos de SEO, conteúdo estático é muito importante para tornar seu site ainda mais encontrável. Mecanismos de busca ignoram aquelas URLs dinâmicas cheia de parâmetros. Isso pode causar ainda os problemas de conteúdo duplicado.

Parte 2 – Conteúdo. Os humanos também importam

Na hora de escrever o conteúdo do seu site, não adianta ficar colocando um monte de palavras chave em cada parágrafo. Isso não vai ajudar (pode atrapalhar, na verdade) na indexação dele e ainda atrapalha os usuários. Se tem uma coisa que vale aqui, é o bom senso. Se o texto faz sentido para os humanos, vai ser bem considerado pelos mecanismos de busca.

Escrever de forma clara, concisa e objetiva, sem enrolação, utilizando recursos como espaço entre os parágrafos e imagens bem escolhidas, são requisitos básicos para um bom conteúdo na web. Outras dicas interessantes sobre como escrever pra web neste artigo do Frank Marcel.

Meta-tags
Também importam muito as meta-tags, que são elementos que não aparecem muito para os usuários, mas são fundamentais para indexação nos buscadores e na página de resultados de busca. As meta-tags básicas são:

  • Title: é a mais importante delas, sendo a primeira coisa que um mecanismo de busca verá em seu site. É ela que diz sobre o que é uma página e aparece como título no resultado de busca. Para o usuário, o title é aquilo que aparece na janela ou aba do navegador.
  • Description: funciona como um resumo da página. Ela diz ao mecanismo de busca e aos usuários (na página de resultado de busca) um pouco mais sobre a página, facilitando a vida de quem busca por algo.
  • Keywords: virtualmente, ela deixou de ter importância para a indexação do seu conteúdo em mecanismos de busca, já que virou um canal para prática de spam. Ela pode ser útil para sites que utilizam uma busca interna, mas não é essencial para SEO.

Parte 3 – Marketing. Relacionamentos te dão moral

Sabe o botão “Curtir”, do Facebook? Quando um site cria um link para outro, é mais ou menos assim que os mecanismos de busca entendem: que ele curtiu aquele site. E isso conta. E muito. Mais ainda se for um site com boa reputação.

É com base nesse mecanismo que o Google funciona. Ele entende quais são as páginas mais populares e relevantes e atribui notas à elas. Essas notas são chamadas de PageRank. Site mais conhecidos tem notas mais altas. Quando você recebe um link de um site conhecido, ele passa um pouco dessa “moral” para o seu.

Ter uma boa estratégia de construção de links pode ajudar muito o seu site a melhorar a posição em mecanismos de busca. Mas não dá pra ficar atirando para todos os lados. Lembre-se, sempre, do bom senso.

Parece um trabalho sem fim (na verdade até é!). Mas, no final das contas, vale a pena.

Por que usar uma biblioteca de padrões de interface

É muito bom contar com o máximo de ferramentas na hora em que estamos criando interfaces. Testes de usabilidade, avaliações heurísticas, conversas entre membros de uma equipe e outras coisas ajudam muito, pois te dão muita informação sobre qual caminho seguir ou qual não seguir. Mas tem uma coisa que ajuda muito quando vamos começar a desenhar, mas que não é tão vista como as outras que mencionei: uma biblioteca de padrões de interface.

Quando se está criando uma interface, ajuda muito conhecer modelos pré-existentes para apresentar comportamentos de diversos elementos de uma página: menus, abas, paginação, gráficos, etc. Você consegue ter uma certeza maior de que algo ficará bom, pois aqueles modelos já foram usados anteriormente em outros projetos e muito provavelmente também serão facilmente reconhecidos pelos usuários.

Ah! Claro que as bibliotecas não devem impedir que se use a criatividade nos seus projetos (na verdade, acho até que ela aumenta, pois você terá vários caminhos a sua frente para tomar uma decisão).

Para saber mais sobre bibliotecas de padrões de interface, recomendo a visita a alguns sites.

Yahoo! Design Pattern Library
O legal dessa biblioteca é que ela mostra sempre um problema sendo resolvido com o uso de um padrão. Isso ajuda a entender bem a hora em que determinado padrão deve ser usado.

Welie
Bem parecida com a do Yahoo!, mas com alguns exemplos diferentes. Vale a visita.

Pattern Tap
Não é bem uma biblioteca, mas apresenta diversos exemplos de uso de diferentes elementos de uma interface. Além disso, também apresenta os exemplos mais ricos visualmente, na minha opinião.

Montar a sua biblioteca pode dar um trabalhão, mas conforme o tempo vai passando você percebe o quanto conseguirá ganhar muito com isso. E aí, já montou a sua?

Conteúdo em página única: o que você precisa em um lugar só

Até algum tempo atrás uma página longa era mal vista, quando se pensava em usabilidade. Hoje o fato de uma página ter ou não um tamanho considerável verticalmente não é tão ruim assim.

Isso porque, com o tempo e a evolução da tecnologia (e também do usuários, por que não?), o comportamente mudou. Hoje em dia, com tablets, smartphones e telas cada vez mais compactas o ato de rolar a página é muito natural. Falando em arquitetura de informação e navegação, também é melhor “economizar” aquele vai-e-vem de cliques para o usuário.

Ter todo o conteúdo em uma página, quando ele é bem escrito e fala sobre o mesmo assunto, ajuda também no quesito otimização. Uma página com conteúdo bem feito, agrupado corretamente e bem estruturado ganha muito mais relevância do que diversas páginas, segmentadas e que falam um pouco sobre cada coisa. Certeza.

Um exemplo legal disso que estou falando é uma página lançada recentemente no site BM&FBOVESPA. De quebra você pode ainda aprender como investir na bolsa.

Experiências Memoráveis

Fazer com que as pessoas tenham experiências que sejam marcantes é o objetivo de todos os profissionais da nossa área. Ter pessoas comentando sobre os produtos que usaram e as experiências que tiveram é a melhor forma de marketing. É o tal do “design reflexivo”. E isso vai além de arquitetura de informação e usabilidade.

No momento, o site que me impressiona é o Qwiki. Já conhece? É um produto relativamente novo e que me fez sentir como o capitão da nave do Wall-E ou usando aquele computador de O Quinto Elemento. Ele faz o seguinte: busca na Wikipedia o assunto que você procurou e te entrega de uma forma sensacional.

Veja abaixo o vídeo demonstração do Qwiki:

O que faz um arquiteto de informação?

Hoje em dia é muito comum ouvir aqui e ali que alguém trabalha com arquitetura de informação. Como profissional da área há alguns anos, sempre tento me manter atualizado sobre o que acontece em nosso mundinho. Tenho pensado sobre uma coisa: será que as pessoas sabem o que faz um arquiteto de informação?

No nosso dia-a-dia interagimos com gerentes de projetos, editores, desenvolvedores, designers e outros profissionais (com profissões mais conhecidas que a nossa) e sabemos o papel de cada um. Será que eles sabem o nosso? Será que nós mesmos temos a noção de qual é? Além disso, será que nós sabemos qual deveria ser o nosso papel?

Muito além do wireframe
Normalmente estamos acostumados a sermos envolvidos em etapas específicas dos projetos, com a tarefa de entregar soluções para problemas específicos (um wireframe aqui, outro ali, essas coisas) e sem ter muito a noção do resto. Sempre pensei que o papel de um arquiteto de informação não é simplesmente montar um wireframe ou decidir entre um menu horizontal ou vertical. O papel do arquiteto de informação não é ser piloto de Axure. Claro, ter essas habilidades técnicas é essencial e o domínio de ferramentas vem com o tempo. O principal é entender que o arquiteto de informação deve enxergar os impactos que as decisões tomadas em um simples wireframe terão sobre o sucesso de um determinado projeto. É preciso ter uma visão estratégica, que seja abrangente.

Do começo ao fim
Como quase todos os AI’s são profissionais vindos de outras áreas, geralmente temos habilidades que nos permitem enxegar além dos quadradinhos que desenhamos. E é isso que precisamos mostrar para nossos parceiros de projetos: nossa capacidade de contribuir com o todo, desde o planejamento até as etapas mais decisivas de um projeto.

Cada pedaço do wireframe será importante para garantir que a estratégia de um produto tenha sucesso. O arquiteto de informação precisa entender que seu papel é enxergar todo o valor agregado a seus entregáveis. É conhecer e lembrar a estratégia de um produto, do começo ao fim, na hora de tomar decisões.

Que sabemos desenhar wireframes, ninguém duvida. Mas o que podemos oferecer além disso?

Contando histórias

As pessoas podem ficar discutindo durante horas sobre um requisito de projeto, mas somente conseguirão entender o que está acontecendo quando tiverem algo mais “visual” para opinar sobre. Chega uma hora do projeto em que precisamos unir o que foi dito e anotado (os requisitos) com o que foi imaginado (mapas de site e wireframes).

E o papel do AI, neste momento, é ligar esses pontos: partir do que foi dito para o que será mostrado.

Só que não dá pra sair fazendo wireframes e layouts de todas as telas do seu site, certo? Pode ser que você nem tenha certeza ainda sobre as coisas que existirão nele. O que fazer, então?

Uma boa alternativa que irá te ajudar durante esse processo é a criação de storyboards. Eles farão com que você passe pelas ações existentes em seu site e permitirá que você teste os cenários que existirão. Isso mostrará coisas novas que você não tinha pensado e outras que você vai descobrir que deve retirar.

Métricas Sociais

Visitas, visitantes e page views.

Durante muito tempo, quando se falava de métricas na web, eram essas informações que nós precisávamos considerar. Mas hoje isso mudou. Pelo menos no que diz respeito a considerar apenas essas informações.

Com a inevitável (e benéfica) socialização da web, não importa apenas quantos acessos o seu site teve nessa semana ou mês. Agora, é preciso ficar muito ligado em tudo o que acontece em redes como Facebook, Twitter e Orkut. Cada nova ação que sua empresa divulga na web passa a ser material a ser utilizado pelas pessoas nessas redes e, se você não estiver preparado para monitorar e entender o que acontece, pode acabar perdendo boas oportunidades de negócio e até prejudicando a imagem da empresa.

Seguidores, fãs e menções.

Na web socializada, acompanhar esses números dia a dia (e porque não minuto a minuto?) é essencial. É muito importante que sua empresa esteja atenta ao que se fala dela nas redes sociais, pois ela assim ela poderá ficar muito mais perto dos clientes. Imagine que sua empresa lançou um novo produto e percebe nas redes sociais que há algo que está causando diversas dúvidas ou comentários que podem não ser bons. Monitorar essas redes possibilitará que ela responda rapidamente a essas dúvidas e tome atitudes para minimizar os danos com uma velocidade que nunca existiu antes. Mesmo que um eventual problema não seja resolvido rapidamente, só o fato de mostrar que está presente e ouvindo o que as pessoas tem a dizer fará com que a sua empresa se mostre muito mais próxima delas.

Relacionamento.

As ferramentas que as redes sociais oferecem ajudam sua empresa a ficar muito mais perto dos clientes, o que pode gerar muitas informações que poderão ser aproveitadas em futuras estratégias e produtos.

Com certeza as métricas tradicionais não deixaram de serem importantes. Mas hoje muitas outras variáveis foram acrescentadas à essa equação. E o valor de saber exatamente o buzz gerado por uma determinada estratégia ou ter a exata noção de quem é a pessoa que consome seus produtos são coisas que não se pode desperdiçar na web socializada.

Fonte: http://www.briansolis.com/